Restaurante Mocotó e seu lendário torresmo em São Paulo (SP)

Dias atrás eu fui surpreendido por um amigo paulistano que disse: “Mineiro, esses dias eu comi o melhor torresmo da minha vida num bar aqui em Sampa, chamado Mocotó.” Como bom mineiro que sou, eu não poderia deixar um comentário desses passar batido, ainda mais que torresmo é a fruta o petisco que eu mais gosto. Não tive outra opção a não ser visitar o Mocotó para confirmar essa constatação, aproveitando que logo após o Festival Brasileiro da Cerveja de 2014 eu estaria em trânsito nas redondezas do aeroporto de Guarulhos, que fica bem perto do bar.

Entrada do restaurante

Em frente ao Mocotó.

Não é segredo que as cervejas artesanais estão se tornando cada vez mais comuns em muitos estabelecimentos Brasil afora e no Mocotó isso não foge à regra, apesar de sua carta de cervejas ainda ser um pouco tímida. Na verdade, o bar é destaque por causa de sua cozinha, especializada em culinária nordestina. O sucesso é tão grande que não é raro vermos gringos visitando o estabelecimento, o que indica que sua fama anda cruzando as nossas fronteiras. Outro fato que comprova isso são os inúmeros prêmios que o restaurante vem conquistando, entre eles o 101 World’s Best Restaurants de 2012 da Newsweek Magazine, além de já ter sido pauta em mais de 80 cadernos de culinária nacionais e internacionais.

Prêmios

Alguns dos prêmios conquistados pelo Mocotó.

Destaques em cadernos de culinária

Na parede, alguns dos destaques nos cadernos de culinária.
O bar ainda estava sem movimento…

Clientes

…e o movimento começou.

A história do Mocotó começou em 1974, quando o proprietário, José Oliveira de Almeida decidiu abrir o bar, onde os clientes se amontoavam para tomar o seu caldo de mocotó. Em 1979, ele resolveu abrir, em frente ao Mocotó original, um segundo bar, chamado por ele de “filial”.

Artesanato

O bar passou por uma reformulação total nos últimos anos e isso só foi possível devido à paixão de Rodrigo Oliveira, filho do Sr. José, pela gastronomia. Rodrigo é quem hoje está no comando do Mocotó e para isso ele fez faculdade de gastronomia, além de estagiar com chefs renomados em São Paulo. Ele também visitou restaurantes, mercados e feiras livres do Nordeste para ver de perto a sua cozinha, além de ter rodado mais de 30 mil quilômetros pelo Brasil em busca das cachaças que hoje fazem parte da sua premiada carta “cachaceira”.

Cachaças

Algumas das muitas cachaças do Mocotó.

E o torresmo? Calma, ainda chego lá.

De segunda a sexta, o Mocotó tem em seu cardápio uma variedade de bolinhos servidos como petisco, um em cada dia, sendo eles: bolinho de arroz; bolinho de linguiça; bolinho de abóbora com carne seca; bolinho de feijão branco e linguiça e; pasteizinhos de carne-de-sol (que não é um bolinho mas…). Como eu visitei o bar em uma segunda feira, tratei logo de experimentar o bolinho de arroz que é feito com  arroz vermelho, cateto e agulhinha combinados com queijo-de-coalho e temperos nordestinos, sendo servido com molho de pimenta agridoce. Caiu bem com a Saint Bier Chopp Belgian, uma cerveja não pasteurizada, do estilo Belgian Blond Ale.

Bolinho de arroz

Bolinhos de arroz.

Outro petisco muito famoso na casa é a linguiça artesanal de pernil. Tive que experimentar, porém, meu amigo paulistano que já havia se surpreendido com o torresmo da casa e estava me acompanhando nessa visita, me “fez” tomar uma “cachaça da boa”.  Valeu à pena, já que harmonizou bem com o tempero da linguiça. Não sou de beber cachaça e, mesmo reconhecendo o valor dessa bebida, eu acabei não me atentando ao nome da que eu tomei. Uma pena.

Linguiça artesanal

A “marvada” e a linguiça artesanal.

Um petisco que me chamou a atenção foi a Mandioca (ou Aipim) Chips, cortado bem fininho e servida bem sequinha. Tem um sabor muito diferente da mandioca frita cortada em cubos. Chega a ser surpreendente.

Carne seca

Mandioca Chips e carne seca, que por sinal é excelente.

Mandioca chips

Aqui a Mandioca Chips em detalhe.

E o torresmo, que cronologicamente foi o primeiro petisco que eu pedi, realmente faz jus à sua fama. Trata-se de um torresmo com carne, a qual é sequinha por fora, suculenta por dentro e tem a pele incrivelmente pururucada e crocante. O tempero também é excelente. Esse entrou para a minha lista dos melhores torresmos do mundo, a qual não tem um torresmo específico que seja o top, já que nunca consigo eleger qual seria o melhor de todos. O fato é que o torresmo do Mocotó vale cada quilômetro percorrido para se chegar até o bar. Há quem diga que o torresmo feito nas Filipinas é tão bom quanto o nosso, o que deixa minhas pernas aflitas para uma visita ao país e a boca cheia d’água para provar se isso é verdade ou não.

Bamberg Rauchbier

Eu e um torresmo em harmonia com uma Bamberg Rauchbier.

Depois de tanto comer, ainda que tenhamos pedido apenas as unidades dos petiscos e não as porções, não sobrou espaço para experimentar as outras especialidades da casa, inclusive o caldo de mocotó, o que só me deixa com a opção de fazer uma outra visita ao bar assim que eu voltar a São Paulo ou então quando eu estiver de bobeira no aeroporto de Guarulhos, com uma janela grande entre um voo e outro.

E foi assim que eu conheci um dos melhores torresmos da minha vida e um bar digno da toda sua fama. E você, conhece o Mocotó ou já teve a felicidade de experimentar algo que entrasse na lista dos melhores da sua vida? Conte pra gente, será um prazer aceitar o “desafio” e me surpreender outra vez.

MOCOTÓ

Endereço: Av Nossa Senhora do Loreto, 1100. Vila Medeiros

Telefone: (11) 2951-3056

E-mail: contato@mocoto.com.br

Fan Page: https://www.facebook.com/pages/Mocot%C3%B3-Restaurante-e-Cacha%C3%A7aria/105175172903700?fref=ts

 

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