O que seria uma cerveja pra mulher?

Mais um dia 08 de março se aproxima e com ele são inflamadas algumas discussões a respeito da postura da nossa sociedade em relação à mulher. E antes que comecem os questionamentos, sim, o título é esse mesmo: o que é uma cerveja pra mulher?

Estilos de Cerveja

Recentemente eu pude acompanhar algumas discussões em fóruns ligados a cerveja, bem como em algumas redes sociais sobre essa divisão de cervejas para mulher e cervejas para homem e ficou ainda mais claro que na cabeça de muitos essa divisão/classificação existe, o que é preocupante. E mais assustador é o fato de muitas pessoas inclusive afirmam que cerveja e mulher não combinam.

O que vemos é um mercado em expansão, que está buscando atrair um público crescente, onde as cervejarias artesanais têm entendido que qualquer divisão entre as cervejas que venha segregar o seu público é ruim para o mercado e ruim para elas mesmas. Porém isso vai na contramão de algumas grandes marcas que insistem em utilizar a imagem da mulher como um atrativo para o público masculino, reforçando a ideia de que essa é uma bebida destinada aos homens.

Existe um esforço muito grande por parte de outros players do setor em dissipar esse conceito de que a cerveja “X”, “Y” ou “Z” é para mulher, macho, mulherzinha ou homem. O problema é que ainda existem muitas pessoas, senão a maioria da sociedade, que ainda não conseguiram se desvencilhar desse pensamento, no mínimo, retrógrado. E aí começam as discussões, ainda que eu não queira me aprofundar muito no que está sendo discutido. Prefiro falar do que está sendo feito no esforço de se educar a sociedade diante dessas divisões nada saudáveis, ainda que eu me atenha, nesse post, à cerveja apenas.

Recentemente, por uma iniciativa do Beer Chef Brasil, foi divulgado um workshop que acontecerá em Belo Horizonte (MG) que trata um pouco sobre o tema “Mulher, cerveja e cultura”, que acontecerá no próximo dia 07/03. Além de abordar o papel da mulher na história da cerveja, será discutido o panorama atual que dá o nome ao workshop, além de conceitos básicos sobre a cerveja, análise sensorial, harmonização e etc.

Mulher, cerveja e cultura

Um outro projeto que me chamou a atenção foi o da cervejaria cigana Perro Libre, que irá lançar no próximo dia 08/03 a cerveja 803, cujo nome é uma alusão ao Dia Internacional da Mulher. A proposta da 803 é questionar se ainda existe sentido em dizer que uma cerveja é específica para um gênero, além do debate em relação à questão do preconceito acerca do tema.

Cerveja para mulher

Segundo Thiago Galbeno, sócio da cervejaria, “a 803 foi criada para levantar a discussão de que continuar a classificar cerveja fraca para mulheres não faz o menor sentido.” Para reforçar a proposta da 803, foi lançado também um vídeo que trata exatamente do tema “cervejas para mulheres”. “Desenvolvemos o vídeo justamente para sentir a opinião das pessoas e a reação delas ao se darem conta do quão ofensivo é fazermos essa separação”, diz Thiago.

Fechando o projeto, a 803 é uma cerveja sem rótulo, literalmente e, segundo seus criadores, “sem coleiras”. Para isso, foi desenvolvida uma embalagem com impressão em serigrafia que traz o conceito da 803, que o próprio estilo, Black Rye IPA é motivo de discussão em relação à nomenclatura e definição.

Veja abaixo o vídeo do projeto 803 e alguns depoimentos de amigos sobre a discussão:

Num viés muito próximo ao da 803 e em resposta à campanha publicitária da Skol para o carnaval 2015, com o slogan “Esqueci o não em casa” (ou melhor traduzindo “Topo antes de saber a pergunta”), as publicitárias Maria Guimarães, Thaís Fabris e Larissa Vaz criaram a Cerveja Feminista, como parte de uma discussão lançada pelo Coletivo 65 │10, o qual procura discutir o machismo tanto nas campanhas publicitárias, quanto dentro das agências. Segundo o texto de apresentação da Cerveja Feminista, ela não foi criada para trazer à tona o oposto do machismo, nem mesmo para afirmar alguma supremacia feminina. O intuito é reforçar a ideia de que homens e mulheres devem ter direitos iguais. Seu estilo? Uma Red Ale, com 6% de álcool.

Cerveja Feminista

A Cerveja Feminista foi apresentada ao público na quarta-feira de Cinzas, dia 18 de fevereiro e teve seu primeiro lote de 1200 garrafas rapidamene esgotado, apesar de ainda ser possível encomenda-la no site oficial da cerveja.

Eu também não poderia deixar de falar que a Confece (Confraria Feminina de Cerveja) estará comemorando seu 8º aniversário no próximo dia 07/03 com sua tradicional festa. A Confece, que é de Belo Horizonte, foi criada no Dia Internacional da Mulher e é a primeira confraria feminina de cerveja do Brasil. À elas, deixo aqui meus parabéns por mais um aniversário e pela iniciativa de mostrar que esse direcionamento de cervejas para gêneros merece um puxão de orelha. Infelizmente os convites para a festa já estão esgotados, mas ano que vem tem mais. Aos que se interessarem, é só acompanhar as noticias em suas redes sociais.

E você, acha que existem cervejas para homens e cervejas para mulheres ou devemos nos preocupar em estabelecer a ideia de que essa divisão não deve existir?

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